24/07/2011

O Primeiro fanzine de quadrinhos riograndino?

Por Law Tissot:
 
             Em novembro de 1984, Law Tissot, Marco Muller e Rodnério Rosa criaram o Grupo Mutação de Quadrinhos e lançaram o fanzine Mutação. Esta publicação tinha o espírito da época, pois os quadrinhos independentes começavam a proliferar pelo Brasil. Muitos leitores fiéis ao quadrinho nacional estavam órfãos da Editora Grafipar, de Curitiba (PR), mas podiam encontrar nas bancas as publicações de terror da Editora D-Arte (hoje também extinta), como as revistas Calafrio e Mestres do Terror, que publicavam as histórias em quadrinhos de artistas consagrados como Julio Shimamoto, Mozart Couto, Rodval Matias, Rodolfo Zalla, Flávio Colin e um vasto etc. Essas revistas ofereciam um importante espaço para troca de correspondências entre os leitores e acabou fomentando muitos fanzines, principalmente nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro. Neste período surgiu o fanzine Arte-Final, de um pessoal que era fanático pelo artista Watson Portela. Este zine se tornou bastante comentado e acabou inspirando outros fanzines que chegavam para depois irem aos poucos desaparecendo, em meados dos anos 1980.
            O fanzine Mutação nasceu com muito sonho e ambição e já no primeiro número ostentava na capa uma ilustração exclusiva do quadrinhista Gustavo Machado - outro nome importante vindo da Editora Grafipar -, Marco Muller, Law Tissot e Rodnério Rosa investiam em roteiros sofridamente influenciados pela revista Heavy Metal. Publicaram ainda nesta edição de estréia, um pôster de José Carlos Neves - editor, junto de César Ricardo da Silva, do famoso fanzine de ficção-científica Hiperespaço - e uma biografia de Júlio Shimamoto, feita por Rodnério através de seus intensos contatos com o artista.
Mutação #01 (1984)
               Logo após o lançamento deste primeiro número, Rodnério Rosa foi embora para Porto Alegre onde vive até hoje. Na capital, Rodnério andou agitando pela Grafar - Grafistas Associados do RS - e às vezes lança algum número de sua própria publicação, a Made In Brasil. Law Tissot partiu para seu próprio fanzine de quadrinhos cyberpunk, o X-TRO e Marco Muller seguiu em frente, assumido o controle do Mutação, que foi evoluindo a cada número, chegando a ter 132 páginas em sua sétima edição, publicando durante sua existência (no total foram nove edições até 1988) nomes importantes do quadrinho nacional como Olendino Mendes, Mozart Couto, Julio Shimamoto, Henrique Magalhães, Wallace Vianna, Deodato Borges (Mike Deodato)... só para citar alguns.
            Mas Marco Muller foi muito além do Mutação, lançando um fanzine após o outro, todos com um excelente cuidado gráfico e de propostas editorias diversas, podemos lembrar aqui dos emblemáticos títulos Leve Desespero e Gesto Estúpido.
             Em 1984, literalmente longe demais das capitais, os três amigos não tinham idéia da história que estaria sendo criada com o Mutação. Visto que, até que se prove o contrário, ele foi o primeiro fanzine rio-grandino, dedicado às histórias em quadrinhos, a atingir um reconhecimento em nível nacional.

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